Na quarta-feira, 19, o Deputado Federal Ulisses Guimarães (MDB) se reuniu com o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira de Oliveira. O principal objetivo do encontro foi discutir o futuro energético do Brasil, com destaque para a transição para energias limpas. Entre os temas mais importantes estava a situação das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) no Planalto de Poços de Caldas.
Carreira política e questões regionais
Com uma carreira política fortemente ligada à região, Ulisses Guimarães abordou questões críticas sobre a mina de urânio localizada no Planalto de Poços de Caldas. Ele criticou a lentidão no processo de descondicionamento da mina e ressaltou que as ações dos órgãos governamentais têm sido mais efetivas do que as da própria diretoria da INB. “Hoje, essa mina de urânio passa por um processo muito lento de descondicionamento, impulsionado principalmente pelo Ministério Público Federal, IBAMA e Agência Nacional de Mineração, enquanto a diretoria da INB alega falta constante de recursos”, afirmou o deputado.

Análise crítica da administração da INB
Ulisses também fez uma análise crítica da administração atual da INB, destacando a desconexão da empresa com o cenário global de transição energética. Ele apontou a contradição entre as vastas reservas de urânio do Brasil e a necessidade de importar esse recurso. “Hoje, um quilo de urânio vale cerca de 200 dólares no mercado internacional, o que representaria mais de 50 bilhões de dólares apenas com as reservas conhecidas na Bahia e no Ceará. Temos reservas de urânio em diversos estados que podem ser exploradas em parceria com a iniciativa privada, conforme a legislação vigente. No entanto, enquanto o urânio permanece no solo, a direção da INB se preocupa com cortes de gastos e ações irrelevantes, devido à falta de competência técnica e compromisso com o nosso país”, afirmou.
Críticas à administração da INB
O deputado não poupou críticas à administração da INB, mencionando preocupações como o anúncio de que a empresa só teria recursos para pagar salários até setembro. Além disso, ele levantou a questão dos resíduos de exploração da Monazita, conhecidos como Torta 2, que estão armazenados em Caldas há 30 anos e necessitam de uma solução urgente.

Solicitações ao Ministro de Minas e Energia
Ulisses ainda solicitou ao Ministro Alexandre Silveira uma maior atenção à profissionalização da direção da INB. Ele reforçou a importância de transformar a empresa em uma referência global na exportação de combustível nuclear, alinhada com as reservas de urânio do Brasil e o papel do país na transição energética mundial.
Histórico de atuação: Audiência Pública e campanha contra lixo radioativo
Na semana passada, Ulisses Guimarães já havia presidido uma audiência pública para discutir a necessidade urgente de medidas eficazes para garantir a segurança das comunidades e resolver o impasse da INB. Em 2021, ele também liderou a campanha “Lixo Radioativo Aqui Não”, quando conseguiu barrar o despejo de 1.100 toneladas de lixo radioativo (Torta 2) de São Paulo para o Planalto de Poços de Caldas, levando o debate à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
